Cainã, filho de Enos, foi um homem da quarta geração da humanidade, conforme descrito no livro de Gênesis. Sua menção, embora breve, é crucial por seu papel como um elo na linhagem piedosa de Sete, que contrasta diretamente com a descendência de Caim.
Ele representa a continuidade da esperança messiânica, uma linhagem que preservou a fé em Deus em um mundo pré-diluviano cada vez mais distante de seus princípios. A história deste personagem bíblico reforça a importância da genealogia na narrativa bíblica como um registro da fidelidade de Deus.
Neste artigo, exploramos sua vida, família e o legado que ele deixou como parte da história da redenção.
Você também pode ouvir nosso podcast sobre Cainã.
Nascimento e família de Cainã
O nascimento de Cainã ocorre em um período de crescente distinção entre as duas linhagens da humanidade: a de Sete, que “começou a invocar o nome do Senhor”, e a de Caim, marcada pela violência e pelo afastamento de Deus.
Seu nascimento, dentro da linhagem de Sete, simboliza a perseverança da fé.
Ele surge em um contexto onde a adoração pública a Deus estava sendo estabelecida, um sinal de que a esperança inaugurada com o nascimento de seu avô, Sete, continuava a florescer.
A Bíblia não especifica a localização de seu nascimento, mas, seguindo a narrativa de Gênesis, presume-se que sua família habitava a região da Mesopotâmia, perto de onde a história humana começou.

Enos, pai
Enos é lembrado como a figura central de uma geração que marcou um reavivamento espiritual. Foi em sua época que os homens “começaram a invocar o nome do Senhor” (Gênesis 4:26), indicando o início de uma adoração coletiva e pública a Deus. Ele passou a seu filho o legado de uma fé devocional.
Maalalel, filho
Maalalel (ou Mahalalel) deu continuidade a linhagem de Sete após a morte de seu pai. Seu nome significa “Louvor de Deus”, sugerindo que a piedade de seus antepassados foi transmitida para a geração seguinte. Através de Maalalel, a genealogia que levaria a Noé e, milhares de anos depois, a Jesus Cristo, foi preservada [1].
História de Cainã
Cainã nasceu quando seu pai, Enos, tinha 90 anos. Neste período a humanidade dava seus primeiros passos fora do Jardim do Éden.
Acredita-se que sua linhagem mantinha relações comerciais e acordos familiares com a linhagem de Caim, criando casamentos entre os dois grupos.
Nascimento de Maalalel
A Bíblia relata que Cainã gerou seu filho Maalalel aos 70 anos e viveu um total de 910 anos (Gênesis 5:12-14).
A cronologia judaica tradicional, encontrada no texto Seder Olam Rabbah do século II d.C., situa o nascimento de Cainã no ano 325 AM (Anno Mundi, “no ano do mundo”) [2].
A Septuaginta, a antiga tradução grega das Escrituras Hebraicas, apresenta números diferentes, afirmando que Enos tinha 190 anos quando Cainã nasceu, e que este gerou Maalalel aos 170 anos.

O “Segundo” Cainã na Genealogia de Lucas
Um ponto de grande interesse acadêmico é a menção de um “segundo” Cainã na genealogia de Jesus em algumas versões do Evangelho de Lucas. Enquanto a genealogia de Gênesis lista Sem, Arfaxade e Salá, alguns manuscritos da Septuaginta e de Lucas 3:36 inserem um personagem de mesmo nome entre Arfaxade e Salá.
Este sgugundo, filho de Arfaxade, não é mencionado no Texto Massorético hebraico. A maioria dos estudiosos hoje acredita que sua inclusão foi um erro de escriba em cópias posteriores, embora ele apareça em textos importantes como o Livro dos Jubileus [3].
Hipótese de Cainã ser o patriarca dos queneus
Dentro dos estudos sobre as origens dos povos bíblicos, a identidade dos queneus, desperta um debate interessante. Uma das hipóteses levantadas para explicar sua origem os conecta diretamente a Cainã, o patriarca da quarta geração da humanidade na linhagem de Sete.
Esta teoria busca encontrar nos primeiros capítulos de Gênesis o ancestral que deu nome a esse povo notável, que viria a ter entre seus membros figuras como Jetro, sogro de Moisés, e Jael, a heroína que derrotou Sísera.
A Base da Hipótese: Conexões Linguísticas e Genealógicas
O principal argumento que sustenta a teoria de uma ligação entre Cainã e os queneus é de natureza linguística. Em hebraico, os nomes apresentam uma semelhança notável que sugere uma possível raiz comum:
- O nome Cainã é transliterado do hebraico קֵינָן (Qênān).
- O termo para queneu (no singular) em hebraico é קֵינִי (Qênî).
Essa similaridade etimológica leva alguns estudiosos a propor que o povo Qênî poderia ter se identificado como descendente do patriarca Qênān.
Além da conexão pelo nome, a hipótese se fortalece pelo fato de Cainã pertencer à linhagem piedosa de Sete, a genealogia que forma a espinha dorsal da história de Israel (Gênesis 5; 1 Crônicas 1:1-4).
Ligar os queneus a Cainã os colocaria dentro desta linhagem “aprovada” por Deus, o que explicaria a relação de amizade e aliança que eles posteriormente tiveram com os israelitas, diferentemente de uma possível descendência de Caim, que carregava o peso de uma maldição.

A Falha Cronológica: O Obstáculo do Dilúvio
Apesar de ser uma teoria intrigante, a hipótese de que os queneus descendem do patriarca pré-diluviano Cainã enfrenta uma barreira teológica e narrativa praticamente intransponível: o Dilúvio de Noé.
O texto bíblico é explícito ao afirmar que o Dilúvio foi um evento cataclísmico global que eliminou toda a humanidade, com exceção da família de Noé, composta por oito pessoas.
Gênesis 7:23 afirma que “foi exterminado todo ser que havia sobre a face da terra”.
Dessa forma, todas as genealogias e povos que existiam antes do Dilúvio, incluindo a linhagem de Cainã, deixaram de existir. Toda a humanidade pós-diluviana descende unicamente dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé.
Como os queneus são um povo que interage com Abraão e Israel séculos após o Dilúvio, é cronologicamente impossível que eles descendam de um patriarca que viveu antes deste evento.

Nossa compreensão
Embora a semelhança entre os nomes Qênān (Cainã) e Qênî (queneu) seja um ponto de partida interessante para especulação, a cronologia bíblica torna a hipótese de uma descendência direta impossível, uma vez toda a humanidade se reiniciou após o Dilúvio.
A maioria dos estudiosos hoje favorece a teoria de que os queneus eram um povo semita, descendentes de Sem, filho de Noé, que já habitavam a terra de Canaã antes da chegada de Abraão, conforme sugerido em Gênesis 15:19.
Cainã em outras religiões
Cainã é mencionado em várias tradições religiosas e textos apócrifos, que expandem sua história para além do breve relato de Gênesis.
Tradição Ortodoxa Etíope
O Livro dos Jubileus, canônico na Igreja Ortodoxa Etíope, fornece detalhes adicionais sobre a vida de Cainã. Segundo o texto, ele nasceu no ano 325 AM. O livro relata que ele se casou com sua irmã, Mualeleth, e ela deu à luz seu filho Maalalel [3]. O texto também atribui a ele a fundação de uma cidade, nomeada em honra de seu filho.
No Islã
Na tradição islâmica, Cainã é conhecido como Qaynan (ou Kenan). Ele é reverenciado como um dos patriarcas pré-diluvianos e um homem de grande piedade, assim como seus antepassados.
Historiadores islâmicos como al-Tabari o descrevem como um sucessor justo de seu pai, Anush (Enos) [4].
A tradição afirma que Qaynan recebeu de seu pai os mandamentos e o legado de sabedoria que foram originalmente transmitidos por Adão e Sete, e ele, por sua vez, os passou para seu filho.

Escrituras dos Santos dos Últimos Dias
Nos textos dos Santos dos Últimos Dias, como no Livro de Moisés, Cainã é mencionado como filho de Enos. O texto o descreve como um homem justo que viveu em uma cidade também chamada Cainã, que era um lugar de grande retidão.
No entanto, o texto afirma que o povo desta cidade foi posteriormente levado por Deus antes do Dilúvio, uma narrativa que difere significativamente do relato bíblico [5].
Etimologia e significado de Cainã
O nome “Cainã”, do hebraico Kenan (קֵינָן), possui um significado que gera interesse e debate. A raiz da palavra está possivelmente ligada ao verbo qanah (קנה), que significa “adquirir”, “possuir” ou “criar” [6].
Aprenda mais
[Vídeo] Teológico | Bíblia & Teologia.
[Vídeo] Quem Foi Enos na Bíblia? Planos da Alma.
[Vídeo] Cainã: O Herdeiro da Fé que Conectou Gerações – Gênesis 5:9-14. Palavra de Conforto.
Perguntas comuns
Nesta seção apresentamos as principais perguntas, com as respostas, que as pessoas fazem sobre este personagem bíblico pouco mencionado na linhagem de Sete, filho de Adão.
Qual é o significado do nome Cainã?
O nome Cainã, do hebraico Kenan, tem um significado debatido. Pode derivar da raiz que significa “possessão” ou “aquisição”, de forma semelhante a Caim. Outra possibilidade o relaciona a “ferreiro” ou “artífice”, sugerindo a ideia de um construtor dentro de sua linhagem piedosa.
O que é Cainã?
Cainã é um nome masculino de origem hebraica. Refere-se a um personagem bíblico, um patriarca antediluviano (que viveu antes do Dilúvio) mencionado no livro de Gênesis. Ele é uma figura importante nas genealogias que ligam Adão a Noé e, consequentemente, a Jesus Cristo.
Quem é Cainã na Bíblia?
Na Bíblia, Cainã é o filho de Enos e neto de Sete, sendo o quarto patriarca na linhagem de Adão (Gênesis 5:9-14). Ele viveu 910 anos e foi pai de Maalalel. Ele é um ancestral de Noé e é mencionado na genealogia de Jesus em Lucas 3:37.
Fontes
[1]. Bíblia Sagrada, Lucas 3:37-38.
[2]. Seder Olam Rabbah, “A Grande Ordem do Mundo”, tratado do século II d.C.
[3]. O Livro dos Jubileus, texto judaico antigo, Capítulo 4.
Demais fonte
[4]. Al-Tabari, “História dos Profetas e Reis”, Volume 1.
[5]. O Livro de Moisés 6:17, Doutrina e Convênios 107:45, (Escrituras dos Santos dos Últimos Dias).
[6]. Gesenius, Wilhelm. Hebrew and Chaldee Lexicon to the Old Testament Scriptures.
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