A homilética é uma disciplina fundamental da Teologia Prática. Ela estuda rigorosamente a arte e a ciência da pregação cristã. Seu foco é a composição, preparação e entrega de sermões ou discursos religiosos [1].
Ela não se limita a ser um manual de oratória. A homilética investiga como a mensagem bíblica pode ser comunicada de forma eficaz. O objetivo é que a Palavra de Deus seja apresentada com clareza, fidelidade e poder.
Essa disciplina busca capacitar o preletor, ou pregador, com as melhores ferramentas. O desafio é apresentar o Evangelho de Cristo a públicos diversos. Cada audiência possui necessidades e contextos únicos que o pregador deve considerar [2].
Neste artigo apresentamos a história desta disciplina, características, conceitos relacionados e importância para Teologia.
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História da homilética: A Evolução da Pregação
A homilética, como disciplina formal, não nasceu no vácuo. Ela se baseia profundamente na retórica clássica, a arte de falar bem em público.
Os gregos e romanos antigos desenvolveram esta arte com grande sofisticação [5].
O objetivo da retórica era determinar as melhores técnicas. Buscava-se tornar um discurso o mais claro, persuasivo e compreensível possível.

Platão, Aristóteles e a Retórica
Inicialmente, filósofos como Platão desconfiavam da retórica. Eles temiam que ela pudesse ser usada para manipular a verdade. No entanto, foi seu aluno, Aristóteles, quem sistematizou a retórica como uma disciplina legítima [5].
Em sua obra “Retórica”, Aristóteles definiu os três pilares da persuasão. O primeiro é o Logos, o apelo à lógica e à razão do argumento.
O segundo pilar é o Pathos. Este é o apelo às emoções da audiência, buscando conectar-se com seus sentimentos e valores.
O terceiro pilar é o Ethos. Este se refere ao caráter e à credibilidade do orador. Para Aristóteles, este era o elemento mais importante da persuasão [6].

Cícero e Quintiliano
Em Roma, grandes oradores como Cícero e Quintiliano refinaram a retórica. Cícero, em suas obras como “De Oratore”, enfatizou a necessidade de o orador ser um homem de vasto conhecimento e integridade moral.
Quintiliano, por sua vez, focou na formação do orador desde a infância. Esses princípios retóricos (lógica, emoção e caráter) foram posteriormente absorvidos pelos pregadores cristãos [7].
A pregação na Patrística (Pais da Igreja)
Nos primeiros séculos do cristianismo, a homilética começou a se formar. Os chamados Pais da Igreja (Período Patrístico) viram a necessidade de adaptar a retórica clássica para a pregação.
Eles precisavam defender a fé contra heresias. Além disso, precisavam instruir e edificar os novos fiéis no Império Romano. A retórica grega foi a ferramenta escolhida para essa tarefa [2].

Orígenes e a interpretação alegórica
Orígenes de Alexandria (c. 184–c. 253) foi uma figura central. Ele era um erudito que aplicou métodos filosóficos gregos ao estudo da Bíblia. Orígenes popularizou o método alegórico de interpretação.
Esse método buscava significados espirituais e ocultos por trás do texto literal. Embora controverso, seu método influenciou a pregação por séculos. Ele buscava tornar a Bíblia relevante para questões filosóficas da época [8].
João Crisóstomo: O “boca de ouro”
João Crisóstomo (c. 347–407), Patriarca de Constantinopla, é talvez o maior exemplo de pregador patrístico. Seu apelido, “Crisóstomo”, significa literalmente “Boca de Ouro”, dado por sua eloquência inigualável [9].
Ele dominava a retórica grega, mas seu foco era a exegese cuidadosa das Escrituras. Seus sermões eram práticos, bíblicos e corajosos. Ele não hesitava em confrontar o pecado, mesmo na corte imperial.
Crisóstomo exemplificou o poder de uma pregação que combina fidelidade bíblica com excelência retórica. Ele buscava a aplicação prática da fé na vida diária dos ouvintes.
Agostinho de Hipona e o “De doctrina christiana“
Agostinho de Hipona (354–430) foi o elo definitivo entre a retórica clássica e a homilética cristã. Ele mesmo fora professor de retórica antes de sua conversão [10].
Em sua obra “De Doctrina Christiana” (Sobre a Doutrina Cristã), ele debateu se era lícito usar a retórica “pagã”. Ele concluiu que sim.
Agostinho argumentou que, se a retórica podia ser usada para defender a falsidade, com muito mais razão deveria ser usada. Deveria ser usada para defender a Verdade.
Ele “batizou” a retórica, adaptando-a para o serviço da pregação [10].

O declínio na Idade Média
Durante a Idade Média (c. 500–1500), a pregação genuína do evangelho sofreu um declínio considerável. Vários fatores contribuíram para isso.
A Igreja Católica Romana tornou-se a instituição dominante. A missa era celebrada em latim, uma língua que o povo comum não compreendia mais [11]. O foco mudou da proclamação da Palavra para a celebração dos sacramentos.
Os sermões que existiam eram frequentemente focados em temas moralistas. Abundavam sermões sobre a vida dos santos, relíquias ou os dogmas da igreja. A pregação bíblica e expositiva tornou-se rara.
Os católicos da época buscavam prender os fiéis aos dogmas da igreja. Isso, muitas vezes, os distanciava da compreensão direta de quem é Jesus Cristo. A salvação e outros ensinos bíblicos centrais eram ofuscados [11].
O Renascimento da pregação na Reforma Protestante
Com a Reforma Protestante no século XVI, a pregação foi redescoberta e colocada no centro do culto cristão. Os reformadores resgataram a autoridade suprema das Escrituras (Sola Scriptura) [12].
Para eles, a pregação não era um acessório do culto; era o evento central. Era o meio principal pelo qual Deus falava ao seu povo.
Martinho Lutero e a “Sola Scriptura“
Martinho Lutero (1483–1546) enfatizou a justificação pela fé (Sola Fide). Ele compreendeu que essa fé vinha pelo ouvir da Palavra de Deus. Portanto, a pregação era essencial.
Lutero traduziu a Bíblia para o alemão. Ele insistia que os sermões fossem pregados na língua do povo. O sermão deveria ser claro, cristocêntrico e baseado diretamente no texto bíblico [13].

João Calvino e a pregação expositiva
João Calvino (1509–1564), em Genebra, levou a pregação expositiva ao seu auge. Ele pregava sistematicamente, livro por livro, verso por verso, através da Bíblia.
Calvino via a pregação como a própria voz de Deus falando à congregação. Ele enfatizou a soberania de Deus, a graça redentora e a necessidade de uma explicação fiel e genuína do texto [14].
Ulrich Zwinglio e a prática sequencial
Ulrich Zwinglio (1484–1531), em Zurique, foi outro pilar. Ele chocou as autoridades da igreja ao abandonar o lecionário (leituras pré-selecionadas).
Em vez disso, começou a pregar sequencialmente através do Evangelho de Mateus.
Esse retorno à Bíblia marcou uma mudança radical. A homilética protestante nasceu desse movimento. Ela focava em sermões expositivos, explicando e aplicando as Escrituras na vida das pessoas [12].

Pós-reforma e os grandes avivamentos
Após a Reforma, a homilética continuou a evoluir. Os Puritanos, nos séculos XVI e XVII, desenvolveram um estilo de pregação “simples” (plain style).
Esse estilo era logicamente denso, textual e focado na aplicação à consciência. Eles buscavam uma pregação que informasse a mente, movesse o coração e mudasse a vontade [15].
Nos séculos XVIII e XIX, os Grandes Avivamentos viram pregadores como John Wesley e George Whitefield. Eles levaram a pregação para fora dos púlpitos, pregando ao ar livre para grandes multidões. Seus sermões eram apaixonados e evangelísticos [16].
Período contemporâneo
Desde o século XIX, a homilética tornou-se uma disciplina acadêmica formal nos seminários teológicos. Ela passou a estudar diversos métodos, teorias e abordagens sobre a pregação.
O século XX viu o surgimento de gigantes da pregação, como D. Martyn Lloyd-Jones, que revitalizou a pregação expositiva consecutiva. Também viu o desenvolvimento de novas formas, como a pregação narrativa [17].
Hoje, a disciplina enfrenta novos desafios, como a era digital e a cultura pós-moderna.

O pregador: O instrumento da Mensagem
A homilética não estuda apenas a mensagem; ela também estuda o mensageiro. A eficácia da pregação está intrinsecamente ligada à vida e ao caráter do pregador.
A vocação e o caráter (Ethos)
Como Aristóteles apontou, o Ethos (caráter) do orador é crucial. Na pregação, isso é ainda mais verdadeiro. O pregador não é um ator recitando um roteiro; ele é uma testemunha [6].
A congregação deve perceber que o pregador é um homem ou mulher de integridade. A mensagem que ele prega deve ser visivelmente praticada em sua própria vida.
A autenticidade é vital. Um caráter falho ou hipócrita pode anular a mensagem mais eloquente. A congregação ouve o sermão, mas observa a vida do pregador [18].
A preparação espiritual
Antes da preparação intelectual do sermão, vem a preparação espiritual do pregador. A homilética enfatiza que a pregação é um ato espiritual, não apenas acadêmico.
Isso envolve uma vida de oração e devoção. O pregador deve buscar a Deus antes de buscar o sermão. Ele precisa da unção e da orientação do Espírito Santo.
Muitos teóricos da homilética afirmam que o tempo gasto em oração pelo sermão é tão importante quanto o tempo gasto em seu estudo e escrita [19].

A preparação intelectual
A preparação espiritual não exclui o rigor intelectual. A homilética exige estudo contínuo. O pregador deve ser um estudante diligente da Bíblia e do mundo ao seu redor.
Isso inclui o domínio das línguas originais (hebraico e grego), se possível. Envolve também o conhecimento da história, da teologia, da filosofia e da cultura contemporânea [2].
O pregador deve ser capaz de construir pontes. Ele precisa conectar o mundo antigo da Bíblia ao mundo moderno de seus ouvintes.
Tríade da homilética: Hermenêutica, Teologia e Retórica
A preparação de um sermão eficaz repousa sobre três pilares interconectados.
Hermenêutica: A ponte do texto ao sermão
O primeiro pilar é a hermenêutica, a ciência da interpretação. Antes de pregar um texto, o pregador deve entendê-lo corretamente. A pregação deve fluir da exegese, não da eisegese [20].
Exegese é extrair o significado do texto. O pregador pergunta: “O que o autor original quis dizer aos seus ouvintes originais?”
Eisegese é impor um significado no texto. É quando o pregador usa o texto como um pretexto para dizer o que ele já quer dizer. A homilética condena essa prática.
O pregador deve analisar o contexto histórico, cultural e literário do texto. Ele deve entender o gênero (poesia, narrativa, epístola) e a gramática. Apenas com uma hermenêutica sólida o sermão será fiel à Bíblia [20].

Conteúdo teológico
O segundo pilar é o conteúdo teológico. Cada sermão, mesmo que baseado em um único texto, deve estar de acordo com o todo da revelação bíblica.
O pregador deve ter uma compreensão robusta da Teologia Sistemática. Como este texto se encaixa na doutrina de Cristo (Cristologia)? Na doutrina da salvação (Soteriologia)?
Isso impede que o pregador tire conclusões estranhas ou heréticas de um único versículo. O sermão deve ser teologicamente consistente e rico [2].
Retórica: A estruturação da comunicação
O terceiro pilar é a retórica, a arte da comunicação eficaz. Não basta ter o significado correto (hermenêutica) e o conteúdo correto (teologia). É preciso comunicá-lo bem.
Aqui, o pregador organiza as ideias de forma lógica e coerente. Ele pensa na melhor maneira de apresentar a verdade para sua audiência específica [21].

Características de um sermão
A homilética fornece um processo claro para a construção do sermão.
A seleção do texto e do tema
O processo começa com a escolha de uma passagem bíblica. Alguns pregadores seguem a pregação expositiva consecutiva, pregando livro por livro. Outros escolhem textos baseados nas necessidades da congregação ou no calendário litúrgico [17].
Uma vez escolhido o texto, o pregador deve, através da exegese, definir o tema central. O que este texto está dizendo? Qual é a sua mensagem principal?
A importância da “Grande Ideia”
Muitos homiletas modernos, como Haddon Robinson, enfatizam a necessidade de uma “Grande Ideia”. O sermão deve ser redutível a uma única frase declarativa e memorável [22].
Todo o sermão (pontos, ilustrações, conclusão) deve servir para explicar e aplicar essa única “Grande Ideia”. Isso garante unidade, clareza e impacto.
Estrutura e o esboço de um sermão
Definida a ideia central, o pregador elabora o esboço. Esta é a organização lógica do sermão. Um esboço tradicional tem três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão [21].
Introdução: Capturando a atenção
A introdução tem dois objetivos: capturar o interesse do ouvinte e apresentar o tema do sermão.
O pregador deve “construir uma ponte” da realidade do ouvinte para o texto bíblico. Pode-se usar uma pergunta, uma história, uma estatística chocante ou uma citação [1].
Desenvolvimento: Pontos principais e transições
O desenvolvimento é o corpo do sermão. Aqui, a “Grande Ideia” é dividida em pontos principais. Geralmente, são dois a quatro pontos lógicos que fluem do texto.
Cada ponto deve ser explicado, ilustrado e aplicado. As transições entre os pontos devem ser claras, ajudando o ouvinte a seguir o raciocínio [21].

Conclusão: O apelo à ação
A conclusão é vital. Ela não deve ser apenas um resumo. Deve ser um apelo. A conclusão responde à pergunta: “E agora?”
O pregador deve aplicar a verdade do sermão à vida prática do público. Deve haver um chamado à fé, ao arrependimento, à mudança de comportamento ou à adoração. A conclusão deve ser poderosa e direcionada [1].
A arte da ilustração
Ilustrações são “janelas” que trazem luz ao sermão. Elas tornam o abstrato em concreto. Podem ser exemplos, histórias, citações, analogias ou fatos da atualidade [3].
A homilética ensina que as ilustrações devem servir ao texto, e não o contrário. Elas devem esclarecer o ponto, e não apenas entreter. O uso de histórias pessoais ou eventos atuais torna o sermão mais vivo e compreensível.
A aplicação: Relevância prática
A aplicação é onde a ética entra na homilética. A pregação não é apenas para informar, mas para transformar.
O pregador deve mostrar a relevância e a utilidade do sermão para a vida prática. Como essa verdade bíblica de 2000 anos se aplica ao meu trabalho na segunda-feira? Ao meu casamento? Às minhas finanças? [18].
A aplicação deve ser específica, prática e redentora, sempre apontando para a graça de Deus em Cristo.

A entrega do sermão (Oratória)
Finalmente, o sermão deve ser apresentado oralmente. A homilética estuda os recursos da oratória para maximizar o impacto da mensagem [1].
Isso inclui o uso da voz (tom, ritmo, volume, pausas). Inclui a postura e os gestos. Um pregador que fica imóvel e lê um manuscrito em tom monótono diminui o poder da mensagem.
O contato visual é essencial. O pregador deve se conectar com a audiência, falando “aos” ouvintes, e não “para” eles. A paixão e a sinceridade na entrega são fundamentais [21].
Tipos de sermões
O estudo da homilética desenvolveu diversas abordagens. A escolha do tipo de sermão depende do texto, do público e do objetivo do pregador.
Pregação expositiva
Este é considerado por muitos o método ideal, especialmente após a Reforma [17]. A pregação expositiva busca expor o significado de uma passagem bíblica específica.
O sermão extrai seus pontos principais e sua estrutura diretamente do texto. O objetivo é permitir que o texto defina a agenda do sermão.
Pregação temática
A pregação temática aborda um tema ou tópico específico (ex: perdão, ansiedade, graça).
O pregador usa vários textos bíblicos que se relacionam com o tema. O desafio é abordar o tema biblicamente, sem distorcer os textos usados. É útil para abordar questões atuais [3].
Pregação textual
O sermão textual é um híbrido. Ele usa um texto bíblico curto (geralmente um ou dois versículos) como base.
Os pontos principais do sermão são extraídos das frases ou palavras desse texto. É mais focado que o temático, mas menos profundo que o expositivo [1].
Pregação narrativa
Esta é uma abordagem mais recente. Ela foca em contar uma história bíblica, usando elementos do enredo, personagens e cenário.
O pregador conta a história de forma vívida, permitindo que a audiência “entre” nela. A mensagem é transmitida através da própria narrativa, destacando a emoção e a lição de vida [23].
Pregação biográfica
Este tipo de sermão apresenta a vida de um personagem bíblico (ex: Davi, Ester, Pedro).
O pregador usa os fatos, desafios e conquistas do personagem. O objetivo é destacar sua fé, seu caráter e seu exemplo (positivo ou negativo) para os ouvintes [3].
Objetivo da homilética: Kerygma e didache
A pregação, objeto de estudo da homilética, cumpre duas funções essenciais no Novo Testamento. Essas funções são conhecidas pelos termos gregos Kerygma e Didache.
O Kerygma refere-se à proclamação. É o anúncio público e urgente das boas novas da salvação em Cristo. Foca no “o quê” da fé: a morte e ressurreição de Jesus [4].
O Didache refere-se ao ensino. É a instrução e edificação dos que já creram. Foca no “como” viver a fé cristã. A homilética, portanto, equilibra ambos os aspectos. O pregador deve tanto proclamar quanto ensinar.
Desafios contemporâneos da homilética
A homilética hoje enfrenta desafios únicos.
Pregando em uma cultura pós-moderna
A cultura pós-moderna é frequentemente cética em relação a grandes narrativas e reivindicações de verdade absoluta.
O pregador de hoje deve comunicar a verdade bíblica de forma autêntica. Ele deve demonstrar como a fé é vivida, e não apenas uma lista de doutrinas. A abordagem narrativa e dialogal ganha espaço aqui [24].
A pregação na Era Digital
A competição pela atenção é feroz. As pessoas estão acostumadas a estímulos visuais rápidos e entretenimento constante.
A homilética moderna questiona como manter a profundidade bíblica em uma cultura de “soundbites”.
Alguns pregadores integram multimídia (vídeos, imagens) para engajar a audiência. O desafio é fazer isso sem perder o foco na Palavra [25].

A relevância em meio ao secularismo
Em muitas sociedades, a influência religiosa diminuiu. O pregador não pode mais presumir que sua audiência compartilha seus valores ou mesmo seu vocabulário.
A homilética deve ensinar o pregador a ser um “tradutor cultural”. Ele deve explicar os termos bíblicos de forma clara e demonstrar a relevância do Evangelho para as questões mais profundas da existência humana [24].
Etimologia e significado de homilética
A palavra “homilética” tem raízes profundas na língua grega. Ela deriva do termo homiletikos, que sugere a ideia de “conversação” ou “ensino em tom familiar”. Isso se conecta com a palavra homilia, que significa um discurso ou uma conversa [3].
Literalmente, “homilética” pode ser entendida como “o estudo do discurso agradável” ou da interação congregacional.
Alguns estudiosos, especialmente de tradições mais clássicas, referem-se à homilética como a “oratória sacra”. Este termo destaca a natureza sagrada do conteúdo. Ao mesmo tempo, sublinha a necessidade de excelência na fala, uma “oratória” [1].
Essa designação diferencia a pregação da oratória secular. A oratória sacra lida com verdades divinas e tem um propósito redentor, não apenas persuasivo.
Aprenda mais
[Podcast] A arte de pregar – BTCast 355. BiboTalk.
[Vídeo] O que é homilética? – Rev. Tarcizio Carvalho. Perguntar Não Ofende.
Perguntas comuns
Nesta seção apresentamos as principais perguntas, com as respostas, que as pessoas fazem sobre esta disciplina da teologia.
O que é homilética na Bíblia?
O termo “homilética” não está na Bíblia, mas a prática sim. Refere-se aos exemplos de pregação encontrados nela, como o Sermão do Monte (Jesus), a pregação de Pedro em Pentecostes ou as exortações de Paulo. A homilética estuda como pregar sobre a Bíblia.
O que é homilética?
Homilética é a arte e a ciência da pregação religiosa. É a disciplina teológica que estuda os princípios de preparação, organização, composição e entrega de sermões ou discursos religiosos de forma eficaz.
Quais são os 4 tipos de sermões?
Embora haja variações, os tipos clássicos são: (1) Sermão Expositivo. Explica detalhadamente uma passagem bíblica específica. (2) Sermão Temático (ou Tópico). Desenvolve um assunto ou tema, usando várias passagens. (3) Sermão Textual.Baseia-se em um texto curto (geralmente um ou dois versículos). (4) Sermão Biográfico. Foca na vida e lições de um personagem bíblico.
Qual a diferença entre hermenêutica e homilética?
A hermenêutica é a ciência da interpretação (o que o texto significa). A homilética é a arte da comunicação (como pregar esse significado). Primeiro, usa-se a hermenêutica para entender o texto; depois, usa-se a homilética para pregá-lo.
O que é a disciplina homilética?
É o ramo da teologia prática focado no estudo acadêmico e prático da pregação. Ela ensina metodologias para preparar e entregar sermões relevantes, claros e impactantes, conectando os textos antigos ao público contemporâneo.
Quem é o pai da homilética?
Não há um “pai” único. No entanto, João Crisóstomo (século IV), arcebispo de Constantinopla, é frequentemente citado como a principal figura patrística da pregação, conhecido como “boca de ouro” por sua extraordinária eloquência e habilidade expositiva.
Fontes
[1] Broadus, John A. (2007). Sobre a Preparação e Entrega de Sermões. 4ª ed. (Rev. por Vernon L. Stanfield). São Paulo: Hagnos.
[2] Stott, John R. W. (2002). O Perfil do Pregador. (Trad. G. C. M. de Souza). São Paulo: Vida Nova.
[3] Braga, James. (2005). Como Preparar Sermões. 6ª ed. São Paulo: Editora Vida.
Demais fontes
[4] Ladd, George Eldon. (2003). Teologia do Novo Testamento. (Trad. D. L. de S. e J. L. de S. Neto). São Paulo: Hagnos.
[5] Aristóteles. (2011). Retórica. (Trad. M. A. O. Novaes). 4ª ed. São Paulo: Edipro.
[6] Kennedy, George A. (1998). Classical Rhetoric and Its Christian and Secular Tradition from Ancient to Modern Times. Chapel Hill: University of North Carolina Press.
[7] Cícero, Marco Túlio. (2014). Do Orador. (Trad. A. S. Abranches). Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
[8] Olford, Stephen F. (2004). Pregação Expositiva: O Método e o Legado de um Mestre. São Paulo: Editora Batista Regular.
[9] Schaff, Philip. (2000). History of the Christian Church, Vol. III: Nicene and Post-Nicene Christianity. Peabody, MA: Hendrickson Publishers.
[10] Agostinho de Hipona. (2002). A Doutrina Cristã. (Trad. N. A. da Silva). São Paulo: Paulus Editora.
[11] Lopes, Hermisten M. P. (2008). A Pregação na Idade Média. Em: Fides Reformata. Vol. XIII, Nº 1.
[12] George, Timothy. (2004). Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova.
[13] Bainton, Roland H. (1995). Here I Stand: A Life of Martin Luther. Nashville: Abingdon Press.
[14] Parker, T. H. L. (1993). Calvin’s Preaching. Louisville, KY: Westminster/John Knox Press.
[15] Packer, J. I. (1995). Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã. São José dos Campos: Editora Fiel.
[16] Noll, Mark A. (2002). The Old Religion in a New World: The History of North American Christianity. Grand Rapids: Eerdmans.
[17] Lloyd-Jones, D. Martyn. (1995). Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Editora Fiel.
[18] Chapell, Bryan. (2009). Pregação Cristocêntrica: Redimindo o Sermão Expositivo. São Paulo: Cultura Cristã.
[19] Bounds, E. M. (2001). Poder pela Oração. São Paulo: Editora Vida.
[20] Osborne, Grant R. (2009). Manual de Hermenêutica. São Paulo: Editora Vida Nova.
[21] Koller, Charles W. (1997). Manual de Pregação. 12ª ed. São Paulo: Editora Batista Regular.
[22] Robinson, Haddon W. (2001). Biblical Preaching: The Development and Delivery of Expository Messages. 2ª ed. Grand Rapids: Baker Academic.
[23] Lowry, Eugene L. (1989). The Homiletical Plot: The Sermon as Narrative Art Form. Louisville: Westminster John Knox Press.
[24] Keller, Timothy. (2014). Pregação: Comunicando a Fé na Era do Ceticismo. São Paulo: Editora Vida Nova.
[25] Kim, Matthew D. (2018). Preaching with Cultural Intelligence: The Sincere, Unbalanced, and Reluctant Paster. Grand Rapids: Baker Academic.
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