Deus é o Criador soberano, Eterno e onipotente, cuja natureza se manifesta em três pessoas distintas, porém unidas: Pai, Filho e Espírito Santo. Ao longo do texto bíblico são utilizados outros nomes para se referir a Deus, como, Eterno, Criador, entre outros.

Ele é o Deus trino, manifestado em três pessoas distintas, porém unidas em essência e propósito: o Pai, que reina com soberania; o Filho, que se encarnou para a redenção da humanidade; e o Espírito Santo, que guia e santifica o povo de Deus.

Na tradição cristã protestante, a doutrina da Sola Scriptura estabelece que a Bíblia é a autoridade suprema e suficiente para conhecer o Senhor, rejeitando tradições humanas que se coloquem acima ou em igualdade com a Palavra inspirada.

Neste artigo apresentamos uma visão teológica sobre o Senhor, baseando exclusivamente nas Escrituras.

Ouça nosso podcast especial sobre Deus.


Trindade

A doutrina da Trindade é o fundamento central da fé cristã, afirmando que Deus é um em essência, mas existe eternamente em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Essa verdade, embora misteriosa e além da plena compreensão humana, é revelada nas Escrituras e tem sido objeto de reflexão teológica ao longo dos séculos.

É essencial abordarmos a Trindade com reverência, reconhecendo sua complexidade e profundidade, enquanto se busca esclarecer sua relevância para a fé e a prática cristã.

Nesta seção apresentamos brevemente cada uma das três Pessoas da Trindade.

Trindade
Representação da Trindade

Deus Pai

Deus Pai é a primeira pessoa da Trindade, o Criador soberano de todas as coisas, cuja autoridade e amor permeiam a narrativa bíblica. Ele é descrito como o “Pai das luzes” (Tg 1:17) e o origem de toda a criação (Gênesis 1:1).

O Pai é a fonte da Trindade, aquele que envia o Filho e o Espírito para cumprir seus propósitos redentores. Sua relação com o Filho e o Espírito é marcada por uma unidade de essência e propósito, mas distinta em função.

Como Agostinho de Hipona argumenta em De Trinitate, o Pai é o princípio sem princípio, aquele que gera o Filho eternamente sem jamais ser subordinado em essência. [1]

Na economia da salvação, o Pai é quem planeja e ordena a redenção. Ele é o arquiteto do plano salvífico, enviando seu Filho ao mundo (Jo 3:16) e concedendo o Espírito para habitar nos crentes (Jo 14:26). A paternidade de Deus também se estende aos cristãos, que são adotados como filhos por meio de Cristo (Rm 8:15).

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 3:16 (NVI)

Deus Filho

O Filho, Jesus Cristo, é a segunda pessoa da Trindade, o Verbo eterno que se fez carne (João 1:14). Ele é coigual e coeterno com o Pai, compartilhando a mesma essência divina, mas distinta em sua pessoa e missão.

A encarnação é o mistério central do Filho, onde a natureza divina se une à natureza humana sem confusão ou separação, como definido no Concílio de Calcedônia (451 d.C.).

Como o autor de Hebreus declara, o Filho é “o resplendor da glória do Senhor e a expressão exata do seu ser” (Hb 1:3).

Jesus curando o cego perto de Jericó
Jesus curando o cego perto de Jericó

O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas,

Hebreus 1:3 (NVI)

Na Trindade, o Filho é gerado eternamente pelo Pai, uma relação que não implica inferioridade, mas uma distinção funcional. Ele é o mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2:5), cumprindo a vontade do Pai por meio de sua vida, morte e ressurreição.

Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica, enfatiza que o Filho é a Palavra (Logos) do Pai, por meio de quem todas as coisas foram feitas. [2]

Deus Espírito Santo

O Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, é igualmente Deus, compartilhando a mesma essência divina do Pai e do Filho. Ele é descrito como o “Espírito da verdade” que procede do Pai (João 15:26) e é enviado pelo Filho para guiar, consolar e santificar os crentes.

O Espírito é o agente da presença divina na vida da Igreja e dos indivíduos, capacitando-os para a missão e transformando-os à imagem de Cristo.

E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.

2 Coríntios 3:18 (NVI)
Representação do Espírito Santo na Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano
Representação do Espírito Santo na Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano

A processão do Espírito Santo, um tema debatido na história da Igreja, foi central no cisma entre o Ocidente e o Oriente, com a controvérsia do Filioque.

Teólogos, como Gregório de Nazianzo produziram obras comprovando que o Espírito procede do Pai por meio do Filho, mantendo a unidade trinitária. [3]

O Espírito é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho, e sua obra é essencial na aplicação da salvação, regenerando os corações e inspirando as Escrituras.

“pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.”

2 Pedro 1:21 (NVI)

O Nome de Deus

Na teologia cristã, o nome de Deus vai muito além da função de um simples rótulo, possuindo uma origem divina e sendo fundamentado na revelação divina.

A Bíblia frequentemente utiliza o nome de Deus no singular, como em Êxodo 20:7 e Salmos 8:1, geralmente em um sentido amplo, sem se referir a uma designação específica.

Contudo, essas referências gerais podem se desdobrar em formas especiais que expressam os diversos atributos do Senhor.

YHWH. Tetragrama do nome de Deus
YHWH. Tetragrama do nome de Deus

O Nome do Senhor no Antigo e Novo Testamento

No Antigo Testamento, o nome pessoal do Senhor é revelado como YHWH, comumente vocalizado como “Yahweh” ou “Jeová”. Além disso, títulos como El Elyon e El Shaddai são usados para descrever aspectos de Sua natureza.

Ao ler a Bíblia hebraica em voz alta, os judeus substituem o Tetragrama (YHWH) por Adonai, traduzido como Kyrios na Septuaginta e no Novo Testamento grego. A forma abreviada Jah, ou Yah, aparece na interjeição “Aleluia”, que significa “Louvado seja Jah”, usada pelos cristãos para glorificar o Senhor.

No Novo Testamento, palavras como Theos, Deus, e Pater, Pai em grego, são empregadas para se referir ao Senhor, ampliando as formas de designação divina.

Respeito pelo Nome do Senhor

O respeito pelo nome de Deus é um dos Dez Mandamentos, que proíbe seu uso indevido e incentiva sua exaltação por meio de atos piedosos e louvor. Esse princípio é refletido na primeira petição da Oração do Senhor: “Santificado seja o teu nome”, que expressa o desejo de honrar e glorificar o nome divino.

“Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.”

Êxodo 20:7 (NVI)

Atributos e natureza de Deus

A discussão sobre os atributos e a natureza de Deus remonta aos primeiros séculos do cristianismo. No século II, Irineu de Lyon foi um dos primeiros a tratar dessa questão. Em Contra as Heresias, Irineu afirma: “Sua grandeza não carece de nada, mas contém todas as coisas”. [4]

Os atributos divinos apresentados por Irineu foram fundamentados em três fontes principais: as Escrituras, o misticismo então predominante e a piedade popular [5]. Ainda hoje, muitos desses atributos são derivados tanto de declarações bíblicas. como a Oração do Senhor, que afirma “Pai nosso que estás nos céus” (Mt 6:9).

Os dezoito atributos deo Senhor

No século VIII, João Damasceno sistematizou dezoito atributos divinos em sua obra Uma Exposição Exata da Fé Ortodoxa, organizando-os em quatro grupos: atributos relacionados ao tempo (como a eternidade), ao espaço (como a infinitude), à matéria e à qualidade. Defidindo assim parte da ortodoxia cristã.[6]

Essa classificação permaneceu influente na teologia cristã por alguns século, sendo refletida em diversas obras teológicas posteriores.

Tomás de Aquino e as tradições confessionais

Já no século XIII, Tomás de Aquino priorizou uma lista mais concisa, incluindo atributos como simplicidade, perfeição, bondade, incompreensibilidade, onipresença, imutabilidade, eternidade e unidade. [2]

Outros documentos eclesiásticos também abordaram a questão, como o Quarto Concílio de Latrão (1215), mais tarde reafirmado pelo Concílio Vaticano I (1870), além do Breve Catecismo de Westminster (1647). [7]

Tomás de Aquino
Tomás de Aquino

A transcendência e imanência do Senhor

Dois atributos que destacam tanto a transcendência quanto a imanência do Senhor são particularmente importantes.

A transcendência refere-se ao fato do Senhor ser eterno, infinito e além do mundo criado, não estando sujeito às limitações da criação. [8]

Por outro lado, a imanência reconhece que o Senhor está ativamente envolvido no mundo e nos assuntos humanos [9]. Ao contrário do panteísmo, contudo, a teologia cristã afirma que o Senhor não é da mesma substância do universo criado. [10]

Berkhof e a teologia dos atributos comunicáveis e incomunicáveis

Louis Berkhof distinguiu os atributos do Senhor entre os atributos comunicáveis e atributos incomunicáveis.

Os atributos comunicáveis possuem alguma correspondência no ser humano, como sabedoria e bondade.

Enquanto os atributos incomunicáveis são aqueles que pertencem somente o Senhor e não possuem analogia nas criaturas, como a imutabilidade do Senhor. [11]

O Breve Catecismo de Westminster declara: “Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”. [12]

Louis Berkhof
Louis Berkhof

Teologia reformada

Alguns teólogos reformados entendem que essa distinção entre atributos comunicáveis e incomunicáveis, embora não explicitada formalmente nas confissões, está implícita nelas. A relação entre esses atributos é tal que os incomunicáveis qualificam todos os demais: por exemplo, o Senhor é infinitamente sábio, eternamente justo e imutavelmente bom. [13]

Donald Macleod, por sua vez, questiona essas classificações, considerando-as artificiais e sem base rigorosa. [14]

É amplamente aceito entre os teólogos que os atributos do Senhor não são meras características adicionais ao Seu ser, mas sim qualidades essenciais que coexistem eternamente com Sua essência. Alterar qualquer desses atributos implicaria mudar a própria essência divina. [11]

Compreensões contemporâneas

O teólogo John Hick propõe que a lista de atributos de Deus deve começar com a aseidade ou autoexistência, da qual derivam outros atributos como eternidade, imutabilidade e infinitude. Hick também destaca que o Senhor é o Criador (creatio ex nihilo), sustentador, pessoal, amoroso, bom e santo. [15]

De maneira semelhante, Berkhof inicia com a autoexistência e segue com atributos como imutabilidade, infinito que implica perfeição e onipresença, unidade, onisciência, sabedoria, veracidade, amor, graça, misericórdia, paciência, santidade, retidão e soberania. [11]

Um dos primeiros a afirmar filosoficamente a infinitude do Criador foi Gregório de Nissa.

Em sua obra Contra Eunômio, ele argumenta que a bondade do Senhor é ilimitada, e como essa bondade é essencial à Sua natureza, também deve ser considerado infinito. [16]

Representação de Deus Pai (detalhe) oferecendo o trono da direita a Cristo, Pieter de Grebber, 1654
Representação de Deus Pai (detalhe) oferecendo o trono da direita a Cristo, Pieter de Grebber, 1654

Deus e a humanidade

A relação entre Deus e a humanidade é um dos pilares centrais da teologia cristã. Desde os primeiros versículos das Escrituras, o Senhor é apresentado como o Criador soberano e pessoal, que se relaciona com sua criação de forma ativa e amorosa.

A narrativa bíblica descreve uma progressão que começa na criação, passa pela queda e culmina no plano de redenção em Cristo. Essa estrutura fornece o arcabouço para entender a identidade humana, o propósito da vida e a salvação.

Criação do Universo

A teologia cristã afirma que Deus criou o universo a partir do nada por sua palavra poderosa (Gn 1:1-3; Hb 11:3). Essa criação não foi fruto de necessidade ou acaso, mas de um ato livre e soberano do Criador. Ele é distinto de sua criação, mas a sustenta continuamente.

No princípio Deus criou os céus e a terra.

Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.

Gênesis 1:1-3 (NVI)

Segundo Louis Berkhof, “a criação é aquela obra de Deus pela qual Ele trouxe à existência, do nada, o mundo e tudo o que nele há, em um período de seis dias, e tudo muito bom”. [11]

A criação manifesta os atributos do Senhor seu poder, sabedoria e glória. [11]

Além disso, a doutrina da criação estabelece que o mundo tem propósito, ordem e valor, desafiando as visões panteístas ou materialistas.

Como afirma Alister McGrath, “a criação é, ao mesmo tempo, distinta de Deus e dependente dele”. [14]

Ilustração representando a criação do mundo segundo o Gênesis
Ilustração representando a criação do mundo segundo o Gênesis

Criação da humanidade

O ser humano é considerado “a coroa da criação”. De acordo com Gênesis 1:26–27, o Senhor criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (imago Dei), conferindo-lhes dignidade, racionalidade, moralidade e capacidade relacional. Isso implica que o ser humano é chamado a refletir o caráter do Senhor e a exercer domínio responsável sobre a criação.

[…] os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.

Gênesis 1:28 (NVI)

A imago Dei não se limita a atributos funcionais (como a razão), mas envolve uma vocação relacional e espiritual. John Stott destaca que “ser imagem de Deus significa ser criado para conhecer a Deus, obedecê-lo, amar e viver em comunhão com Ele”. [17]

A Criação de Adão de Michelangelo (1512)
A Criação de Adão de Michelangelo (1512)

Queda do homem e plano de redenção

O relato da queda em Gênesis 3 narra como os primeiros seres humanos desobedeceram o Senhor, trazendo pecado, morte e corrupção ao mundo.

A queda não apenas afetou os indivíduos, mas toda a criação. Essa ruptura comprometeu a relação entre o Senhor e a humanidade, instaurando uma condição de alienação espiritual.

Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram;

Romanos 5:12 (NVI)

Agostinho de Hipona, em sua Cidade de Deus, argumenta que o pecado original é transmitido a toda a humanidade e que somente pela graça divina o ser humano pode ser restaurado [18]. A queda, porém, não foi o fim da história.

Em Gênesis 3:15 o Senhor promete um redentor indicando um plano de salvação desde os primórdios. O plano de redenção se concretiza em Jesus Cristo, o Verbo encarnado, que viveu sem pecado, morreu em substituição pelos pecadores e ressuscitou para conceder vida eterna (Rm 6:23; Ef 2:8–9).

Como afirma J. I. Packer, “Cristo é o ponto central de todo o plano do Senhor a chave hermenêutica da revelação e da redenção”. [19]

A salvação é, portanto, fruto da graça divina, oferecida a todos os que creem (João 3:16). Essa restauração não apenas reconcilia o ser humano com o Senhor, mas também inaugura uma nova criação, que culminará na renovação de todas as coisas.

Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia.

Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido.

Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.

Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”.

Aquele que estava assentado no trono disse: “Estou fazendo novas todas as coisas! ” E acrescentou: “Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança”.

Apocalipse 21:1-5 (NVI)

Outras religiões e seus deuses

Ao longo da história da humanidade, diversas civilizações desenvolveram sistemas religiosos com múltiplas divindades. Esses deuses refletem os valores, medos e esperanças de seus respectivos povos.

Desde as religiões mitológicas da Antiguidade até religiões contemporâneas, a variedade de crenças revela a busca universal pelo transcendente, mas também revela a limitação do homem ao tentar compreender o divino por meios próprios.

As religiões politeístas

Civilizações como os egípcios, gregos, romanos e hindus apresentam panteões com múltiplos deuses, cada um associado a aspectos específicos da vida: amor, guerra, colheita, morte, etc.

No Egito antigo, por exemplo, Hórus, Ísis e Osíris formavam uma tríade central no culto religioso.

Os gregos cultuavam Zeus como o rei dos deuses, mas dividiam sua adoração com Atena, Apolo, Afrodite, entre outros.

Essas divindades, porém, tinham características humanas eram falhos, ciumentos, vingativos e até imorais.

Isso mostra que foram projeções culturais, tentativas de explicar o mundo e os fenômenos da natureza. O apóstolo Paulo faz alusão a isso em Romanos 1.22-23.

Egípcios espancando espiões shasu (Detalhe da escultura da parede sobre a Batalha de Cades)
Egípcios espancando espiões shasu (Detalhe da escultura da parede sobre a Batalha de Cades)

Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis;

porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram.

Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.

Romanos 1:20-23 (NVI)

As religiões orientais

Religiões como o hinduísmo e o budismo têm visões distintas sobre o divino. O hinduísmo reconhece milhões de deuses e manifestações de Brahman, a suprema realidade impessoal.

Já o budismo tradicionalmente não afirma a existência de um deus criador, focando na iluminação e na superação do sofrimento através do caminho do Buda.

Apesar de sua influência cultural e espiritual, essas crenças se afastam da noção de um Deus pessoal, santo, eterno e soberano, características centrais da revelação bíblica.

O islamismo

O islamismo, embora monoteísta, apresenta uma concepção de deus (Alá) distinta da revelação cristã. O Alcorão descreve Alá como soberano e criador, mas sua relação com os seres humanos é distante e marcada por julgamento.

Não há no islamismo um conceito de redenção por graça mediante um mediador divino.

Reunião de peregrinos em Meca
Reunião de peregrinos em Meca

O Deus Cristão, o verdadeiro Deus

Ao contrário dos deuses pagãos ou impessoais, o Deus da Bíblia é apresentado como único, pessoal, eterno, criador e redentor. Ele não é uma projeção humana, mas se revela ao homem por meio das Escrituras e, de forma plena, em Jesus Cristo.

Um Deus único

A Bíblia é clara em afirmar que há apenas um Deus verdadeiro:

Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.

Deuteronômio 6:4 (NVI)

[…] Antes de mim nenhum deus se formou, nem haverá algum depois de mim.

Isaías 43:10 (NVI)

O Senhor não compartilha Sua glória com ídolos ou falsos deuses. Ele não depende da criação e existe por Si mesmo, sendo o fundamento de toda realidade.

Um Senhor que se revela

O Senhor se revelou de forma progressiva e suficiente:

  • Na criação (Sl 19:1),
  • Na consciência humana (Rm 2:14-15),
  • Nas Escrituras (2Tm 3:16),
  • E de modo pleno, em Jesus Cristo (Hb 1:1-3).

Cristo é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15) e por meio Dele conhecemos o Pai.

Um Deus de amor e justiça

O Deus cristão é santo e justo, mas também é amoroso e misericordioso. Essa tensão se resolve na cruz de Cristo, onde a justiça divina foi satisfeita e o amor foi plenamente demonstrado:

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

1 João 4:10 (NVI)

Nenhuma outra religião apresenta um Senhor que desce até o homem, assume sua dor, morre em seu lugar e oferece perdão gratuito mediante a fé.


Aprenda mais

[Vídeo] Os sonhos de Deus. Gabriela Rocha.

[Vídeo] Imagem de Deus. Bible Project.

[Vídeo] Deus. Bible Project.


Perguntas comuns

Nesta seção apresentamos as principais perguntas, com as respostas, que as pessoas fazem sobre o maior personagem descrito na Bíblia.

Quem criou Deus?

Deus não foi criado. Essa pergunta supõe que houve um outro criador antes de Deus. Entretanto, ao estudarmos as Escrituras somos forçados a aceitar que obrigatoriamente tinha que haver alguém que sempre existisse, que fosse eterno.

Deus é esse ser infinito e eterno, que existe além do tempo e além de sua Criação, ser ter sido criado. É algo um tanto difícil de compreendermos, pois somos finitos e limitados a esta Criação.

Como se definir Deus?

Deus é descrito como o ser supremo, onipotente, onipresente e onisciente, criador de todo o universo. Na Bíblia, é apresentado como um ser individual, com características semelhantes às de um ser humano, sendo o pai criador de tudo o que existe.


Fontes

[1] Agostinho de Hipona. De Trinitate. Traduzido por Stephen McKenna. Washington, DC: The Catholic University of America Press, 1963.

[2] Aquino, Tomás. Suma Teológica. Traduzido por Fathers of the English Dominican Province. Westminster: Christian Classics, 1981.

[3] Gregório de Nazianzo. Orações Teológicas. Traduzido por Charles Gordon Browne e James Edward Swallow. Crestwood: St. Vladimir’s Seminary Press, 1978.

Demais fontes

[4] Irineu de Lyon. Contra as Heresias, Livro IV, cap. 19.

[5] McGrath, Alister E. Teologia Histórica: Uma Introdução à História do Pensamento Cristão. São Paulo: Shedd, 2005.

[6] João Damasceno. Uma Exposição Exata da Fé Ortodoxa, Livro I, cap. 8.

[7] Catecismo Menor de Westminster, Pergunta 4; Concílio de Latrão IV (1215); Concílio Vaticano I (1870).

[8] Barth, Karl. Church Dogmatics, vol. II.1. Edinburgh: T&T Clark, 1957.

[9] Pannenberg, Wolfhart. Systematic Theology. Grand Rapids: Eerdmans, 1991.

[10] Plantinga, Alvin. Deus, Liberdade e o Mal. São Paulo: Vida Nova, 2012.

[11] Berkhof, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

[12] Catecismo Menor de Westminster, Pergunta 4.

[13] Frame, John M. The Doctrine of God. Phillipsburg: P&R Publishing, 2002.

[14] Macleod, Donald. Behold Your God. Fearn: Christian Focus Publications, 1995.

[15] Hick, John. An Interpretation of Religion: Human Responses to the Transcendent. Yale University Press, 2004.

[16] Gregório de Nissa. Contra Eunômio, Livro I.

[17] Stott, John. Cristianismo Básico. São Paulo: ABU Editora, 1999.

[18] Agostinho. A Cidade de Deus. São Paulo: Paulus, 1990.

[19] Packer, J. I. Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

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Diego Pereira do Nascimento
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